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Coberturas e plastificação
O texto de Barthes cita os artigos de culinaria da revista Elle espanhola, os quais apresentavam toda semana pratos impecavelmente belos e irresistiveis. Fotos com pratos maravilhos de diversas cores e formas, recheavam a pagina da revista.
Chega-se então a discussão do belo. O que essa revista esta vendendo? A comida, como um produto, como um objeto. A comida então, passa a ser algo plastificado. Nessa época, de 1957, o movimento POP no design levantava exatamente essa questão. Cadeiras e mesas com forma femina criticando as mulheres "plasticas" da época foram temas dos designers pop. O POP criava produtos propositalmente ridiculos e efemeros, criticando os materiais em alta da sociedade norte-americana, como o plastico, o baquelite e o nylon.
Mesmo decadas depois, esse texto não poderia ser mais atual. A "plastificação" não só de comidas, belas no rotulo e menores e não tão encantadoras ao se abrir o pacote é apenas reflexo da sociedade que vivemos. Não, isso não é uma critica. Afinal, estou cursando o ultimo ano de Design, acho que visamos sim o belo, a forma diversa e intrigante. Buscamos a diferenciação da forma obvia existente. A nossa "luta" deve ser criar produtos belos e simultaneamente funcionais, duraveis e sustentaveis. Não apenas o belo pelo belo. O designer deve ir além, buscar a ergonomia e preços acessiveis. Ver o produto como um todo,pensando em todas as etapas do produto, desde a sua criação ate o seu fim, na minha opinião é o que distingue o designer do publicitario!
O capitalismo transforma tudo que existe em produto, não poderia ser diferente com a comida. Para vendermos um produto é préciso ter uma embalagem atrativa. No caso dos alimentos muitas vezes o próprio é o atrativo final. Um prato ornamentado chama muito mais atenção do que um simples, por mais que isso não influêncie no sabor.
Em relação a ao texto "cocina ornamental" trata do que nós designers somos muitas vezes designados a fazer, dar uma bela imagem a algo nem sempre belo, ou no caso das comidas, delicioso.De forma a vender aquela imagem, nem sempre deliciosa, entretanto, essa "plastificação da cozinha" encarece seus habitos e direciona seu produto a uma determinada classe economica, portanto são poucos aqueles que podem provar da cozinha "camuflada", que é mais bonita que saborosa, ou nutritiva.É um detalhe que agregou um valor enorme ao mesmo item de nosso cotidiano.
O embelezamento dos objetos é uma pratica que está sendo cada vez mais utilizada pelos fabricantes para aumentar as vendas. Provavelmente tendo notado que vivemos num mundo de aparências os chefs de cozinha e donos de restaurante “chiques” resolveram aderir essa idéia, ornamentando cada vez mais seus pratos deixando seus preços cada vez mais “salgados”.
Muitas vezes essa maquiagem não agrega sabor ao prato mas o colorido e o requinte dos detalhes decorativos acaba atraindo clientes de classe econômica elevada.
Tudo pelo belo ! não importa se é superficial ou real. É caso das comidas que passam a imagem de que tudo é maravilhoso, te deixa deslumbrado!
Os móveis acabam passando a mesma sensação. Claro que nós designers vendemos o belo, mas temos o dever de pensarmos em muitas outras coisas que são agregadas a isso, como por exemplo: materiais ecologicamente corretos, ergonomia, materiais que duram, preços acessíveis… passando assim a imagem verdadeira do que realmente somos capazes.
O plastico se torna mais uma inovação trazida pela tecnologia, é a transformação da matéria!
É incrível ver a que ponto o homem chegou de conseguir transformar centenas de substancias em materia, em algo solido, o qual pode imitar a natureza com formas organicas, como as formas de Karin Rashid, de frascos de perfume, sandalias à moveis, assim como pode transmitir movimento.
E essa expansão do plastico se deu principalmente durante a Pop Art, quando se queria criticar a arte presente, e a americanização, imitando a vida, como o plastico permite.
Além de estar por todos os lados, em tudo, dificilmente se acha algum artefato, algum objeto que nao tenha alguma porcentagem de plastico, como as meias, todas atualmente possuem parte em poliester, é complicado se encontrar 100% algodão, sendo que funcionalmente o algodão é mais confortavel e permite a transpiração, artigos de 1,99: outro grande exemplo da explosão do plastico, de relogios a pratos,tudo é feito dos injetaveis, dos plasticos!
A arte da camuflagem excede os limites em diversos objetos,vestimentas e até mesmo na comida!Impressionar primeiro pela aparencia parece ser a nova era de vendas,vender o belo e depois vender o sabor ou o que realmente é necessário,é um pouco da culpa do Designer,porque se ele não criasse algo que chamasse a atenção e vendesse a idéia do bonito/feio,certamente todas as coisas seriam iguais eternamentes
Existem as revistas de culinaria que são sérias, e aquelas rotineira do dia-a-dia, acredito que neste texto de Barthes,ele cita uma revista mais séria a Elle. Esta revista é exclusivamente para ser bem vista, pois é através desta imagem "bela" das comidas que possui mais chances para ser comprado. Muitas vezes o que vai ser ingerido, não remete tanto "sabor", quanto aquela imagem que estamos vendo. As propagandas preocupa-se em utilizar estratégias para envolver o cliente, não se preocupando com o principal, a qualidade do produto.
Acredito que o designer deve assumir a responsabilidade de projetar o que desperte interesse duradouro para as necessidades dos consumidores e não apenas focando no ato vender o produto
Roland Barthes comenta artigos culinários de duas revistas diferentes: Elle e L´Express.
A primeira mostra uma "cozinha ornamental", mágica, enquanto a segunda mostra uma cozinha real.
A revista Elle, voltada para uma classe mais popular, mostra semanalmente fotografias de pratos lindíssimos em que predominam a cobertura, com a intenção de chamar atenção para a parte visual.
Este "apelo" visual, é um recurso que tem sido cada vez mais utilizado tanto por deisgners quanto por publicitários (mas por estes com maior intensidade).
O primeiro contato que as pessoas têm - seja com objetos, com as artes graficas ou ate mesmo com outras pessoas - é visual. Primeiro nós olhamos, depois "vemos" com atenção, tocamos, gostamos e compramos.
O desenvolvimento de novas tecnologias também nos permitem desenvolver nossa imaginação. A "plastificação" de produtos por meio de revestimentos, de pessoas com roupas sintéticas e de alimentos com embalagens plasticas são novas formas de expor a criatividade e trazer praticidade à vida das pessoas,
A ornamentação e a plastificação de um produto acabam se tornando cruciais no seu desenvolvimento e realçam os seus aspectos físicos atraindo os olhos dos consumidores.
A reportagem da revista Elle, aponta uma cozinha totalmente mágica, ou seja, para o público popular ela é surreal.Os pratos são fastásticos, lindos, maravilhosos e fora do alcance de quem os deseja.Talvez, se essa comida fosse de plástico a massa popular teria acesso à ela!O McDonald's é vistoso, lindo, belo e de "plástico"!As pessoas olham para o lanche, o desejam e tem acesso à ele.É muito mais fácil e mais parato imitar o que se acha perfeito, usando artefatos industrializados.